terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Celebridades ofuscam os estilistas na SPFW

Qual o peso de uma celebridade para um desfile de moda? No mundo da publicidade, não é fórmula secreta que famosos em meio a um turbilhão de fotógrafos garantem capa de jornais e sites. Ficou em off o valor que a Colcci pagou para trazer o ator Ashton Kutcher, domingo, à passarela da São Paulo Fashion Week (dizem que o cachê é o mesmo que cobraria o Capitão Nascimento Wagner Moura), mas ter Demi Moore sentada na primeira fila, ver os câmeras se estapearem, seguranças sem saber por onde começar a conter a plateia e, finalmente, ter as fotos das estrelas publicadas, em questão de segundos, em portais do mundo inteiro cobre qualquer investimento. Mesmo que a nova coleção – na teoria, o motivo do show – tenha ficado para milésimo plano.

Nossa número 1 das passarelas, Gisele Bündchen – não seria ela a grande estrela da noite? – abriu o desfile da Colcci usando hot pants (short-calcinha), body e casaco pretos. Classe, postura, Gisele, que dizem não ser mais a mesma aos 30 anos (!), magnetiza todos os olhares para si. É deslumbrante e qualquer adjetivo que viesse a diminuir sua presença em cena seria inveja pura. Foi a última vez que a bela se apresentou pela grife.

O reinado agora é de Alessandra Ambrósio, angel de olhar desconcertante da marca de lingerie Victoria’s Secret, que participou do show com look no estilo Bündchen. Na passarela, o xadrez se destacou em casacos e calças, e a cartela veio colorida de caramelo, azul, laranja e preto nos vestidos versão míni, blusas de renda e transparência.

O desfile terminou com uma nova aparição de Ambrósio, desta vez com vestido curto de couro preto, cintura marcada por cinto fino, simples e lindo. E Ashton? Ashton não desfilou. Como em seus filmes de comédia, que mais parecem diversão do que um trabalho, entrou com cara de poucos amigos ao lado dos estilistas da grife para ser fotografado e agradecer. Agradecer a quê? Conclusão: o público ficou com cara de bobo, Ashton desbancou Gisele nas capas dos jornais, e a Colcci teve a maior repercussão na mídia de todas as suas participações na SPFW.

DESFILES - Seda e georgette foram os tecidos escolhidos por Valdemar Iódice para vestidos esvoaçantes, curtos ou longos. O couro ganhou tachas, lantejoulas e franjas, e as blusas continuam de um ombro só no inverno da Iódice. O chapéu deu o ar blasé que faltava no conjunto, especialmente quando junto ao sobretudo de pele de coelho, para o desespero dos ecologistas. Depois foi a vez de Juliana Jabour cortar o cordão umbilical com o Fashion Rio e estrear na SPFW. Com Fernanda Lima na escalação, apresentou moda grunge de muita estampa animal, xadrez e brilhos. Vestidos leves e com movimento e blusões de tricô fizeram da coleção um objeto de desejo.

Saias mais curtas nas frente, paletós com desníveis e em camadas. Recortes retos e geométricos. A arquitetura norteou a coleção inverno da Cori, que veio em preto, vermelho, amarelo e off-white. Detalhes em couro e transparência sutil foram usados com lã, veludo e organza. O penúltimo desfile da noite veio das cinzas do ateliê da Osklen no Rio de Janeiro, que pegou fogo ano passado. O estilista boa pinta Oskar Metsavaht tirou de lá a ideia de resgatar e recriar os looks-chaves dos 10 anos da marca. Coleção estilo largada e requintada. Com golas máxi, os vestidos, macacões e camisas escondem todo o corpo ou fazem o estilo engana-mamãe, tampando aqui e descobrindo ali. O colorido inverno remete às chamas da fábrica: vermelho, laranja, amarelo e azul.

Nenhum comentário:

Postar um comentário